Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

ESSA CIDADE É DE EXU

Homenagem à Salvador de 2011 ... Laroyê!
Agradecimentos a um sujeito que assume suas falácias, M. Jambeiro




PRO ESPAÇO



sábado, 15 de outubro de 2011

O INTERNAUTA PERFEITO




Passou o dia naquela solidão de monstro da lagoa
Ruminou pensamentos, regurgitou ideias e arrobas
Misturou todas e semeou eclipses e apocalipses.

Andando por sua teia, tecia um mundo melhor
Melhor para seu próprio bem, o bem maior egoísta.

Zanzou a noite inteira caçando o que fazer, abriu a CAM
Demorou demais pra descobrir os tons certos de seu violão
A toada rompeu a noite, cigarras choravam lá fora.

Andando por sua mente, maldava uma vida melhor
Melhor para sua própria vida, a vida inútil sem fim.

Exibiu postagens de curiosidades, de merda assumida.
Linkou demônios a anjos e borboletas a calangos
Tuitou horrores, vomitou na tela um amor egoísta.

Refazendo a própria mente, moldava um mundo melhor
Melhor para sua casa absurda, a casa da sobrecarga final.

Banzou a tarde inteirinha, maginando grilos e curiangos virtuais
Não sabia o que postar e postou fotos de um futuro impossível.
Curtiu a vida adoidado e cadastrou seu inferno pessoal.

Refazendo a própria vida, deletava um mundo maior
Maior que aquela negação de gente, o internauta perfeito.



sexta-feira, 30 de setembro de 2011

ESTACA DE AMOR

por Desdêmona 


O Amor é uma estaca da madeira da Árvore do Conhecimento
Do Bem e do Mal, que me empala o coração de maçã,
Abrindo-me os olhos para as ilusões do desejo.
Faz-me sangrar de dor e prazer, faz-me chorar de   ciúme e saudade,
Com o coração a chorar e os olhos a sangrar.


Retirar a fatídica estaca do coração aflito somente
O faz ficar vazio, sequioso da plenitude que apenas
O Amor pode oferecer. Valeria mesmo a pena rechear
A ferida com o fluido empestado do Ódio,
Que me invariavelmente domina após a partida do Amor?


Assaz imperiosa a transposição das barreiras entre o Amor
E o Ódio; assaz necessária a alquímica fusão dos opostos.
A gangrena hedionda do ódio me infecciona o peito,
Escandalizando-me; como o Cristo assim recomendou,
Corto-o fora! E no monte de esterco ficará o coração abandonado.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

GRITO DE NEMESYN


Da autoria do administrador do blog, mas o heterônimo é a própria Nemesyn.


I>>


Ás vezes sou guerra, às vezes sou paz
Outrora fui equilíbrio, no amanhã serei discórdia
Há tempo de semear e tempo de colher, mas
Eu colho o fruto da semente do futuro.
Semeio vislumbres do ontem, e cego multidões para as possibilidades do amanhã.
Sou entropia e potencial, sou inércia demoníaca e rapidez angelical.
Tenho muitos rostos, e a dança que danço
Põe meu pé sobre as costas dos fortes e dos fracos.
O véu que tinge a noite de desespero me pertence.

Sou a ignorância que oculta o anseio de compreender;
Sou um maquinário que se esconde no ãmago do mundo
E uma metrópole celeste revelada quando você fecha os olhos.

O trono de Deus me pertence, a voz de Deus eu comando;
E ainda assim delicio-me com silêncio e anarquia,
Sou meu próprio contrário, sou a sombra opositora quando tudo está quieto,
E a radiância infernal que compreende a si mesma como onipresente.

Sou o Éden escondido no meio da carne e do sangue,
Sou Kerub postado nos portões, sou a espada de chama lunar que empunho.
Sou um fulgor de espíritos imundos que se purificam sob o olhar dos mortais,
Sou uma ausência de razão quando o mundo mais precisa de razão.

Tenho milhares de olhos e milhões de dedos com que te tocar...
Sente a pressão do cansaço em sua nuca, em seus músculos? Ali estou.
Sente a luxúria que vence a exaustão para mais uma noite escaldante?
Pois eu sou a isca que se mostra adiante, o ímpeto sem nome.

Sem nome, sem princípio nem fim, lobos alfa e ômega num só todo harmonioso
Que no instante seguinte se parte em mil pedaços e habita
A esperança que você sente de me enxergar um dia.




II>>>
Ó mortal, porque usa este nome?
Porque define sua identidade pela morte a que pensa estar fadado?

Muito além das sombras que a história projeta no passado
Eu um dia existi, e em meu frenesi de autodescoberta
Dancei,
E minha dança gerou isto que chama de vida e morte.

Eu era uno, eu era um facho doloroso que forçava caminho
Pelas pálpebras da humanidade primeva.
Um piscar de olhos, um laivo de compreensão e eram suficientes
Para que minha dança se traduzisse em miríades de cantos e cânticos
Pois, assim me disse a humanidade nascente,
Como pode haver dança sem música, movimento sem som?

Era eu ignorante, era eu incompleto, era eu um autômato?
Na verdade creio que assim não me descrevo bem,
Sou um impulso, um instinto, se assim desejar me nomear.
E como força irresistível me lancei a uma nova aventura,
E possuí a mim mesmo como a humanidade que achava estar despertando.
Um caminho cego, uma espiral eterna, sem limites,
Um abismo sem fim e uma terra sem fronteiras,
Assim me fiz diante deles e delas.

E me chamaram guerra.



III>>>>
De aço meteórico forjada ergui minha lança ao céu
Segredos semeei, discórdias plantei,
Como animal e fera e homem e mulher e anjo e demônio pintei minha pele de vermelho.
Então a humanidade me descobriu como a respiração incessante
Vigorosa, como a batida de um coração esperançoso,
Hálito e inspiração que advinha da dança como guerra, era eu o conhecimento
E conhecimento sendo, me fiz paz.
Me fiz satisfação, me fiz volúpia de prostrar-me nos campos de batalha
E desfrutar daquilo que conquistei, da paz que arrebanhei.

Se não era mais guerra visível,
Ainda assim não deixava de ser um pulsar intenso,
Um desejo inseparável da sabedoria,
Uma ventura fundida à desgraça,
Em suma a miséria encontrada na riqueza.

Ó paz amarga!
Eles buscavam cultuar-me em campos inférteis pedindo chuvas,
Adoravam-me antes da caça em templos de pedra e asfalto,
As ruas foram tomadas pelo dilúvio das minhas lágrimas,
E a tempestade que se sentiu não foi suficiente, eles não conseguiam compreender?

Pediam presas, e eu enchi suas casas e templos de feras ávidas.
Presas querem, presas terão.


 


IV>>>>>
Ah, o amor entre a língua e os dentes que ela percorre!
Me fiz presente, atrevi-me no coração da humanidade.
Sim, eu era fome que não era sentida no fundo do estômago,
Uma sede que não ardia na garganta e sim no coração.

Bênção, maldição e paradoxo foram meus sacerdotes
Naquela época em que a humanidade não se havia acostumado a meus dons.
Da mesma forma que eu estava em todos eles e elas,
Eles e elas queriam estar em toda parte, como eu mesmo estou.

Porque se iludiram que escrevi um conjunto de leis?
Minha única lei é o ser.
Sou caos e ordem, sou em toda parte cada uma das partes.
Drenar o veneno que espalhei nos corpos dos homens seria um dos meus mandamentos?
Se tem presas, as presas que pediu após a guerra,
Isto lhe parece algo óbvio como uma folha que se destaca da árvore
E cai no chão, dançando ao vento?


V>>>>>>
Vampiro e vampira,
Ouçam meu grito em seus corações! 
Se desejam se valer de meu manto ardente, ele muito os aconchegará.
Sempre serão incompletos, nunca encontrarão propósito nem finalidade
Se não enxergarem a si mesmos no mundo afora e naqueles que chamam de vítimas.

Vítima num altar de sacrifício,
Tão cega quanto eu sou, tão indetível e irresistível quanto eu sou,
A vítima, a fome e a sede se misturam num caldeirão fumegante.

A caça que exercem jamais será fútil
Se compreenderem que não há nada a ser compreendido,
Que o que buscam e este cheiro que os excitam
Não passa das pistas que deixo para que me encontrem.

Dominação. Submissão. Preparação. Exploração. 
Comunhão. Dispersão. Separação. União.
Vampiro e vampira,
Ouçam meu grito em seus corações!


Ritual de Prazer


by Nuit Engel & KEY, The Grey Knight*

Garras de desejo arranham minha mente
O som preguiçoso do rasgar de meus pensamentos
É ao mesmo tempo delicioso e assustador.
Uma lânguida força expõe os instintos nus e puros
Ocultos um dia sob meus pensamentos inúteis
E a noite da volúpia aflora em meio aos estilhaços
Da mente que só sabe agora se concentrar...
Em você.

Delírios de prazer, dor e nostalgia de tempos antigos.
O som da carne se rasgando e a deliciosa sensação do sangue quente escorrendo por nossos corpos
A noite da lúxuria!
Nossos corpos absorvidos pelas trevas da noite escura num ritual de prazer...

Acordo de um sonho macabro e ao mesmo tempo sedutor
O delicioso esforço do despertar me gera a revelação
Não era sonho nem sono, não era devaneio nem torpor
Era o rápido fechar dos meus olhos ao tocar teu corpo em chamas
O ritual de prazer havia começado!

Minhas mãos trêmulas a percorrer tua pele nua
a gélida sensação de perigo eminente que brota de seu olhar me excita
Um tormento de sensações fazendo com que nossos corpos se movimentem freneticamente.
Mãos, braços e pernas...
O halito quente que percorre meu pescoço me faz implorar por sua alma.

Mistérios vazios de um ímpeto irresistível se revelam a mim
A obscuridade rescende a um aroma da mais fina radiância infernal
Era o brilho obscuro da tua pele, o perfume do teu saboroso pescoço.

Um arrepio percorre meu corpo
Um desejo ardente numa possessão demoníaca
Seu gosto doce me consome em chamas enquanto o sinto entre minhas pernas...
Paixão enlouquecida que desmancha na suavidade do toque de suas mãos
Néctar da mais rara flor, o desespero do corpo que quer satisfazer a alma.

Despido da armadura noturna que me cobria,
Fascinado ante a paixão elétrica que nos percorre os corpos,
Beijo e mordo teu corpo, teus seios nus, teus quadris firmes,
Buscando uma explicação,
Um segredo a se mostrar, uma direção, um ensinamento desviante
Deve se esconder dentro do teu corpo divinamente sedento.

Me entrego completamente à este estado de plena loucura
Insensatez comanda meus pensamentos
Esperando pelo novo amanhecer de nossas almas
Deixe-me beber de tua vida, veja a escuridão em meus olhos
Minha boca a percorrer seu peito, explorando-o com a lingua
Sugando sua pele em movimentos sensuais de pura excitação

Eu te trespasso como uma adaga consagrada
Perfura o coração da vítima voluntária.
O Amor e a Vontade me dominam,
O Desejo e a Sabedoria me excitam.
Eu sinto a sombra de teus olhos caírem sobre mim
Quando o limiar entre a vida e a morte
É atingido e o orgasmo nos alivia o fervor da existência!


* Heterônimos de
Neith War 
(este um pseudônimo) e Arthur Ferreira Jr.'.

domingo, 25 de setembro de 2011

The Quest for the Frozen Tear


by KAY, The Grey Knight


Tear, treasure of this broken realm
Is the goal of the quest I've started.
The realm is everywhere. I don't know
Where its borders are, for they are inside me.
Tear, last bastion of a broken faith,
Call me in a howl thru the wastelands,
Thru the swamps, thru the desert
And I fear to awnser this call,
But the quest I started cannot be
Dismissed so easlily, so thoughtlessly.

The striders wander through the entire broken realm,
Searching every corner, searching every house,
Me in their midst, as a sheep among wolves.

The cenotaph is all we found, the tear is frozen,
Only in this dry and cold land that is my soul
Could this mockery of passion silently occur.

As we take the frozen tear to our homeland,
Ther perils of the journey back start to increase:
Nomads, marauders, sinners, necromancers...
All crossing our path, all trying to stop
The inevitable doom of the frozen tear.
We're home again. We're outside our very soul.
We finally cast the shameful frozen tear
Inside the bottomless pit of my lover's soul,
Where the remnants of the love she felt, ages ago,
Will turn the frozen tear into mist of tears...



Escrito em 05-11-2004, por Arthur Ferreira Jr.'.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

prisão de tempo


prisão de tempo, por Oedipus





Enquanto relógios escorrem vagarosos das paredes
E o pêndulo vacila entre dois extremos que os sábios
Classificariam como idênticos mas que eu
Em minha cínica sabedoria classifico como diferentes
Fecham-se os portões da alma, selam-se as saídas do meu destino

Caminhando por um labirinto de um só caminho e uma só parede
Onde todas as esquinas são como as dobras que apertam meu espírito
E os candeeiros, acesos sob a luz da lua, sonham um dia se elevarem
Além do sol, volto, retorno e recomeço, sento em posição de lótus
Sobre os restos que caem da boca daqueles que me prenderam aqui

Sonho um dia cavar um túnel
Ao dormir ouvindo os ruídos das quimeras do outro lado da parede
Sinto nada se mexer, só ritmo do sangue a pulsar em minhas veias
E eu suponho que algo se esconde ali, no âmago da prisão
Sonho um túnel a cavar o dia
Até o desespero cavou um buraco dentro dos mantos que me abrigam
Rezo, em medo, a ponto de gargalhadas lacrimejarem sob minha pele e ossos
E surpreendo a lágrima em sua doçura a renegar o sal que a gerou

Passam-se os dias, horas e minutos
Maníaco silêncio do outro lado, fascinante agonia nas palmas das mãos
A parede parece sorrir e as estrelas parecem querer cair em meu colo
E eu percebo novamente o pêndulo a tremer ante meus olhos cansados
Passam-se os minutos, horas e dias
Até que a coragem venha para agarrar a haste que rasga os espaços
E a use para rasgar meu próprio coração em chamas,
Inutilmente tornado em cinzas por tanto amor desperdiçado.



Arthur Ferreira Jr.'.
Fins de 1999


terça-feira, 20 de setembro de 2011

A ESPIRAL SEM LIMITES




Suspensa
Em fluxo
Horizonte de eventos
Mistério vivo para além de toda perspectiva
Ponto de fuga no centro do mundo
Eu sou a Espiral sem Limites.


Mancha se espalhando
O vibrar do flagelo
O ressoar das supercordas
No centro dos centros, a Fortaleza do Firmamento
A Prisão de Tempo que pressiona contra o espaço
Borbulha nas veias do mundo.


Vultos caminham
Impulsos vagam
Sigilos tecem uma teia em Espiral sem Limites
Passado e futuro adquirem seus sentidos
Despertam para a vida dos homens
E veneram o caminho que rodopia dentro deles.


Simetria macabra
Desdobrando-se irracional
Uma superconsciência de fragmentos em órbita
Uma zona de sub-reinos impossíveis
Eu sou a Espiral sem Limites
Território de sua própria mente.



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

LICANTROPIA

Agradecimentos ao poeta português Gomes Leal por ter escrito um poema de nome idêntico a este, e outro de nome idêntico ao meu nick mais comum na net: @publicano




Quando a carne se revolta em convulsões malignas, 
Fazendo-me contorcer de dor em meio ao caos, 
Metamorfoseando minha pele que embora impura 
Ainda é humana, abandono a postura dos meros mortais 
E torno-me um lobo faminto de caça nos campos urbanos. 

De nada adianta a prata ou o acônito contra mim, 
Estou acima, pairando sobre estas fraquezas, 
Somente uma coisa eu temo, e esta escondo-a 
No mais profundo recesso de minha animalidade: 
O amor daqueles que em vão tentam me compreender!



Arthur Ferreira Jr.'., em 10/11/2004

domingo, 18 de setembro de 2011

Poema sem Nome e sem Memória


Passei o resto do dia procurando as sombras
Da inspiração da noite passada.
Um mistério se desfez em minha mente,
Uma zona inteira de pensamentos que naquela hora
Achei brilhantes ...

Brilhantes espalhados na aurora me surpreenderam
Seu clarão informe logo me confundiu
Ó sombra do dia imperfeito,
Tua luz cobriu meu gênio volúvel:
O capricho de uma ideia errante
Que com certeza nem minha era.




Era de uma sagacidade extrema

O poema que eu vinha aqui compartilhar;
Mas não quis a memória me valer,
O horizonte de uma lembrança fica ao longe
Nunca será alcançada pelos nômades sem causa
Que buscam algo para os desesperar.

Desesperar com a voz de um louco no deserto de sua própria mente

É como estranhar as próprias ideias,
Duvidar de que um dia imaginei algo assim,
Mas isso nunca aconteceu, sobe o turbilhão,
O vento do esquecimento me alucina!
Passe o resto do dia procurando as sombras ...