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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

EXPOSTA


De Arthur Ferreira Jr.'.
Para a voz e a visão de Charlene


Respirava fundo e se sentia exposta.
Entre as duas placas de vidro, transparentes como uma alma que se acha sincera.


Toda uma carga de opostos se dissolvia naquele corredor estreito, onde ela despia suas máscaras e cantava Matanza, bem alto, quase destruindo a fragilidade dos vidro que a separavam das salas onde trabalhava.  Aquele lugar era como o afunilado de uma ampulheta: o tempo parava, e ela gritava.

Mesmo que fosse só na mente que se revoltava do seu próprio silêncio numa das salas, e das palavras vazias na outra.

Aquele lugar era um estado de espírito, era como sua cintura, unindo quadris que se acham livres e torso que se acha escondido demais naquele momento.


Mas não adiantava ficar por ali muito tempo, e ela se movia: o corredor era fugaz e o vidro era translúcido.

Um dia aquele prédio será todo como o corredor: e seu canto e grito e gargalhada dominará o ambiente; e seremos todos mais felizes.





segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ritual de Prazer


by Nuit Engel & KEY, The Grey Knight*

Garras de desejo arranham minha mente
O som preguiçoso do rasgar de meus pensamentos
É ao mesmo tempo delicioso e assustador.
Uma lânguida força expõe os instintos nus e puros
Ocultos um dia sob meus pensamentos inúteis
E a noite da volúpia aflora em meio aos estilhaços
Da mente que só sabe agora se concentrar...
Em você.

Delírios de prazer, dor e nostalgia de tempos antigos.
O som da carne se rasgando e a deliciosa sensação do sangue quente escorrendo por nossos corpos
A noite da lúxuria!
Nossos corpos absorvidos pelas trevas da noite escura num ritual de prazer...

Acordo de um sonho macabro e ao mesmo tempo sedutor
O delicioso esforço do despertar me gera a revelação
Não era sonho nem sono, não era devaneio nem torpor
Era o rápido fechar dos meus olhos ao tocar teu corpo em chamas
O ritual de prazer havia começado!

Minhas mãos trêmulas a percorrer tua pele nua
a gélida sensação de perigo eminente que brota de seu olhar me excita
Um tormento de sensações fazendo com que nossos corpos se movimentem freneticamente.
Mãos, braços e pernas...
O halito quente que percorre meu pescoço me faz implorar por sua alma.

Mistérios vazios de um ímpeto irresistível se revelam a mim
A obscuridade rescende a um aroma da mais fina radiância infernal
Era o brilho obscuro da tua pele, o perfume do teu saboroso pescoço.

Um arrepio percorre meu corpo
Um desejo ardente numa possessão demoníaca
Seu gosto doce me consome em chamas enquanto o sinto entre minhas pernas...
Paixão enlouquecida que desmancha na suavidade do toque de suas mãos
Néctar da mais rara flor, o desespero do corpo que quer satisfazer a alma.

Despido da armadura noturna que me cobria,
Fascinado ante a paixão elétrica que nos percorre os corpos,
Beijo e mordo teu corpo, teus seios nus, teus quadris firmes,
Buscando uma explicação,
Um segredo a se mostrar, uma direção, um ensinamento desviante
Deve se esconder dentro do teu corpo divinamente sedento.

Me entrego completamente à este estado de plena loucura
Insensatez comanda meus pensamentos
Esperando pelo novo amanhecer de nossas almas
Deixe-me beber de tua vida, veja a escuridão em meus olhos
Minha boca a percorrer seu peito, explorando-o com a lingua
Sugando sua pele em movimentos sensuais de pura excitação

Eu te trespasso como uma adaga consagrada
Perfura o coração da vítima voluntária.
O Amor e a Vontade me dominam,
O Desejo e a Sabedoria me excitam.
Eu sinto a sombra de teus olhos caírem sobre mim
Quando o limiar entre a vida e a morte
É atingido e o orgasmo nos alivia o fervor da existência!


* Heterônimos de
Neith War 
(este um pseudônimo) e Arthur Ferreira Jr.'.

domingo, 25 de setembro de 2011

The Quest for the Frozen Tear


by KAY, The Grey Knight


Tear, treasure of this broken realm
Is the goal of the quest I've started.
The realm is everywhere. I don't know
Where its borders are, for they are inside me.
Tear, last bastion of a broken faith,
Call me in a howl thru the wastelands,
Thru the swamps, thru the desert
And I fear to awnser this call,
But the quest I started cannot be
Dismissed so easlily, so thoughtlessly.

The striders wander through the entire broken realm,
Searching every corner, searching every house,
Me in their midst, as a sheep among wolves.

The cenotaph is all we found, the tear is frozen,
Only in this dry and cold land that is my soul
Could this mockery of passion silently occur.

As we take the frozen tear to our homeland,
Ther perils of the journey back start to increase:
Nomads, marauders, sinners, necromancers...
All crossing our path, all trying to stop
The inevitable doom of the frozen tear.
We're home again. We're outside our very soul.
We finally cast the shameful frozen tear
Inside the bottomless pit of my lover's soul,
Where the remnants of the love she felt, ages ago,
Will turn the frozen tear into mist of tears...



Escrito em 05-11-2004, por Arthur Ferreira Jr.'.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A FORTALEZA DO FIRMAMENTO

A Fortaleza do Firmamento se abriu, e os homens que lhe faziam o cerco estacaram, incertos.  O que eles esperavam era arrasar as muralhas da fortaleza logo ao cair da noite; porém, misteriosamente, os portões foram abertos.

     Era uma muralha de arame-farpado dourado, massiva, reluzindo às cores invasivas do meio-dia.  Alguns dos mais afoitos, sem esperar a ordem dos generais, investiram contra os portões escancarados.  A nuvem de poeira se ergueu, o tropel foi ensurdecedor, e as trombetas de guerra soaram: uma vez na investida, o Povo Invasor não mais se detinha.

     Não se detinha, não se deteve, e nunca mais precisou se deter de novo.  As hordas continuaram a invadir a Cidade, e a invadir, a invadir, presas no próprio impulso, e aquele movimento provou-se um meio-dia eterno, a Fortaleza do Firmamento era uma miragem na tessitura do tempo, uma ondulação do calor alucinatório tornada sólida, uma armadilha, uma cilada, um Cavalo de Tróia às avessas.


domingo, 18 de setembro de 2011

PELA ESTRADA ADENTRO




Tem mais de uma hora de relógio que eu tou perdido aqui nessas ruas estreitas, de calçamento antigo, paralelepípedos que dão medo de pisar. Ninguém sabe me dar informação direito, e tô já com o cu no ponto de medo que me assaltem... quinze para a meia-noite...


De repente passa uma menina na rua. Menina, mesmo. Deve ter seus quinze anos, quem sabe. Usa uma capa de chuva de um vermelho desbotado... mas não tá chovendo. É estranho. Parece maluquice. Nem sei porquê tou olhando tanto pra essa menininha.


De repente ela pára o passo, se volta pra mim, estende uma mão magra, mas um pouco bonita (nossa, um esmalte brilhante de tão rubro) e pede:


"Moço, tem um trocado?"


"Não, menina, se eu tivesse algum dinheiro que fosse, já teria tomado um táxi. Você tá com fome, é isso?"


A menina chega mais perto e puxa o capuz vermelho. A rua estava meio escura, mas a lua agora saiu de trás das nuvens... e agora eu noto... não eram unhas esmaltadas, eram garras sujas de sangue, naquela mão meio peluda, como uma mulher com excesso de hormônios...


Ela sorri para mim, uma boca carnuda, dentes afiados, olhos grandes, bem grandes, amarelados, tudo isso emoldurado num rostinho angelical:


"Claro que eu tô com fome!..."